AFA reúne profissionais de mais de 50 municípios em Foz para debater proteção de crianças e adolescentes

Por Redação Guarda Volume

Editoria: Social

AFA realiza seminário em Foz do Iguaçu nos dias 8 e 9 de outubro para debater acolhimento familiar, adoção e proteção de crianças e adolescentes.

Dayse César Franco Bernardi, psicóloga e integrante do Conselho Gestor da

Foto: arquivo pessoal

WhatsApp Image 2026-10-06 at 10.30.59.jpegSeminário será realizado nesta quinta e sexta-feira e discutirá prevenção, acolhimento familiar, reintegração, adoção e os desafios enfrentados por jovens que deixam os serviços de acolhimento

Foz do Iguaçu recebe nesta quinta (8) e sexta-feira (9) profissionais de mais de 50 municípios para uma discussão sobre os caminhos da proteção à infância e à adolescência. Promovido pela Associação Fraternidade Aliança (AFA), o 1º Seminário sobre o Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC) pretende aproximar as diretrizes nacionais da realidade enfrentada diariamente pelos profissionais que atuam na rede de proteção.

O encontro será realizado das 8h às 17h, no auditório da Descomplica UniAmérica – Centro Universitário. As inscrições são gratuitas e as vagas limitadas.

A programação ocorre no ano em que a AFA completa 35 anos de atuação em Foz do Iguaçu e antecede a Semana de Conscientização sobre Acolhimento Familiar, realizada na terceira semana de outubro. A entidade também prepara uma campanha de divulgação do serviço de acolhimento familiar na cidade.

O seminário é resultado de uma parceria entre a AFA, a Prefeitura de Foz do Iguaçu e a Associação de Pesquisadores e Formadores da Área da Criança e do Adolescente (NECA).

Da prevenção à adoção

A abertura oficial está marcada para as 8h30 desta quinta-feira. Ao longo dos dois dias, a programação será dividida em seis eixos, passando pela prevenção de situações de risco, qualidade dos serviços de acolhimento, família acolhedora, reintegração familiar, adoção e acompanhamento de adolescentes e jovens que deixam os serviços de acolhimento.

A discussão parte de uma questão central: o que precisa ser feito para que uma criança possa crescer com segurança, cuidado e vínculos, sem ser afastada de sua família quando isso puder ser evitado?

A palestra magna será ministrada às 10h30 de quinta-feira por Dayse César Franco Bernardi, psicóloga e integrante do Conselho Gestor do NECA, de São Paulo. Mestre em Psicologia Social e especialista em Psicologia Jurídica, ela atua na formação de profissionais e na discussão de políticas públicas relacionadas à infância e à adolescência.

Entre os participantes estarão profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social, segurança pública e Justiça, além de conselheiros tutelares e representantes do poder público e da sociedade civil.

Para a consultora de formação da AFA, Suzane Amorim, a revisão do Plano Nacional reforça a necessidade de transformar as diretrizes gerais em ações nos municípios.

“Precisamos criar planos de atuação em âmbito local, regional e estadual para garantir o direito à convivência familiar e comunitária das crianças e adolescentes, e entendemos claramente nosso papel nesse processo”, afirma.

A coordenadora da Equipe de Supervisão de Apoio ao Serviço de Acolhimento de Foz (ESASA), Márcia Barros, destaca que a integração entre os diferentes setores pode produzir resultados práticos.

“É uma forma de cada um falar do próprio trabalho para facilitar acessos e agilizar processos na prática”, declara.

O juiz auxiliar da presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Hugo Gomes Zaher, também aponta a articulação da rede como um dos principais resultados esperados de encontros desse tipo.

“Fortalecem a articulação entre o sistema de Justiça, a assistência social e os demais atores da rede de proteção, promovem a troca de experiências e ajudam a construir fluxos de trabalho mais integrados”, afirma.

Plano estabelece diretrizes até 2035

O Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária 2025–2035 foi instituído pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA).

O documento orienta políticas relacionadas à proteção de crianças e adolescentes e aborda situações como pobreza, violência, negligência, ausência de rede de apoio, acolhimento institucional, adoção, separação familiar e dificuldades para garantir condições adequadas de cuidado.

Um dos pontos centrais é evitar o afastamento de crianças e adolescentes de suas famílias sempre que houver condições seguras para a manutenção ou reconstrução desses vínculos.

Foz ainda tem 70% das crianças acolhidas em instituições

Criada há 35 anos em Foz do Iguaçu, a AFA desenvolve diferentes ações na área de proteção social. Uma delas é o Programa Família Acolhedora, mantido em parceria com o município há 13 anos.

Segundo a entidade, mais de 320 crianças já passaram pelo programa.

O serviço seleciona, prepara e acompanha famílias que recebem temporariamente crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por determinação judicial. Paralelamente, a rede de proteção trabalha com a família de origem na tentativa de criar condições para uma possível reintegração.

Apesar dos avanços, o acolhimento institucional ainda predomina em Foz. Dados apresentados pela AFA apontam que 70% das crianças acolhidas estão em instituições, enquanto 30% são encaminhadas para famílias acolhedoras.

Neste ano, a capacidade do acolhimento familiar no município correspondeu a quase seis casas-lares.

“Aumentar a quantidade de famílias acolhedoras é uma medida urgente para evitar que crianças precisem ficar em instituições de acolhimento, porque isso, sim, garante a convivência familiar e comunitária”, ressalta Suzane Amorim.

No cenário nacional, houve uma mudança importante em 2025. Pela primeira vez, o número de vagas ofertadas pelo Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora superou o total disponível em casas-lares para crianças e adolescentes: foram 10.035 vagas em famílias acolhedoras contra 9.834 em casas-lares. Apesar disso, há municípios brasileiros que ainda não implantaram o serviço.

Livro inspirado em situações reais será lançado

Durante o seminário, a AFA também lançará o livro “Historinhas que Curam”, que reúne histórias lúdicas inspiradas em situações reais, recriadas em uma atmosfera de ficção.

A publicação será feita pela Nova Práxis Editorial e busca levar experiências desenvolvidas em Foz do Iguaçu para profissionais e instituições de outras regiões do país.

Serviço

1º Seminário sobre Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária – Diretrizes, Desafios e Boas Práticas

Quando: 8 e 9 de outubro de 2026
Horário: das 8h às 17h
Local: Auditório da Descomplica UniAmérica – Centro Universitário
Endereço: Avenida das Cataratas, 1118, Yolanda – Foz do Iguaçu
Inscrições: gratuitas, com vagas limitadas
Programação e inscrições: disponíveis na plataforma Doity.

Assuntos desta matéria

Mais notícias