A conta chegou ao Palácio: aliado culpa Ratinho Junior pela derrota do governismo no Paraná
Editoria: Política
Anibelli Neto responsabiliza Ratinho Junior pela derrota de Sandro Alex no Paraná e questiona a escolha do candidato governista nas eleições de 2026.

Foto: Divulgacao
Deputado Anibelli Neto responsabiliza governador pela escolha de Sandro Alex e abre debate sobre os erros políticos que levaram à derrota da base governista nas eleições de 2026.
A primeira sessão da Assembleia Legislativa do Paraná depois das urnas serviu de palco para o primeiro acerto de contas público dentro da base do governo. O deputado estadual Anibelli Neto (MDB), integrante da coligação que sustentou a candidatura governista, atribuiu ao governador Ratinho Junior (PSD) a responsabilidade pela derrota de Sandro Alex e classificou como erro político a escolha do candidato ao Palácio Iguaçu.
Um projeto de continuidade que não convenceu
Ratinho Junior encerra dois mandatos com índices de aprovação elevados e chegou a 2026 como um dos governadores mais bem avaliados do país. A expectativa no Palácio Iguaçu era transferir esse capital ao sucessor escolhido.
Sandro Alex, secretário estadual de Infraestrutura e Logística, encabeçou a coligação A Mudança Continua, que reunia nove partidos, entre eles Republicanos, MDB, PSD, PSDB, PP e União, tendo o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB) como vice.
O cenário, porém, nunca foi confortável. Em julho, pesquisa Quaest mostrava Sandro Alex com apenas 7% das intenções de voto, num cenário liderado por Sergio Moro (PL) com 39%. O candidato governista cresceu ao longo da campanha, mas não o suficiente para levar a disputa ao segundo turno.
O resultado das urnas
Moro venceu no primeiro turno com 3.127.727 votos, 50,10% dos válidos, ficando apenas 6.821 votos acima da metade necessária para liquidar a eleição.
Sandro Alex terminou em segundo, com 1.583.573 votos, ou 25,36%, à frente de Requião Filho (PDT).
A margem estreita de Moro alimenta, nos bastidores governistas, a tese de que um candidato mais competitivo teria forçado o segundo turno, e é nessa brecha que se apoia a crítica de Anibelli.
O derrotismo do grupo se estendeu ao Senado. Alexandre Curi, presidente da Assembleia e nome que Anibelli considera ter sido preterido para o governo, foi deslocado para a corrida ao Senado e também não se elegeu: as duas vagas do Paraná ficaram com Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo).
O discurso de Anibelli Neto
Na tribuna, Anibelli sustentou que Curi reunia condições para disputar o governo e chamou de "crime" a forma como o presidente da Casa foi tratado na montagem da chapa.
Também resgatou o que havia dito na convenção do MDB: se Sandro Alex e Greca vencessem, o mérito seria do governador; se perdessem, a responsabilidade igualmente recairia sobre ele, por ter escolhido a candidatura.
O deputado poupou o candidato derrotado. Disse que Sandro Alex aceitou uma missão que não estava em seus planos e fez o melhor possível na campanha.
E, apesar das críticas, reafirmou o vínculo com a base, elogiou avanços da gestão e previu que Ratinho Junior deixará marca na história do estado.
Contraponto: a derrota foi apenas uma questão de escolha?
A leitura de Anibelli é uma entre outras possíveis.
O resultado no Paraná acompanhou uma onda mais ampla: o PL venceu a eleição para governador, as duas cadeiras do Senado ficaram com a direita fora do grupo governista e, na disputa presidencial, Flávio Bolsonaro teve cerca de 60% dos votos válidos no estado.
Diante disso, é discutível afirmar que outro nome, Curi incluído, teria revertido uma tendência que se mostrou estadual e ideológica, e não apenas de preferência por candidato.
O próprio desempenho de Curi na disputa ao Senado, onde também foi derrotado, enfraquece o argumento de que ele seria um puxador de votos mais eficiente.
Também é preciso considerar o lugar de fala. A crítica parte de um deputado do MDB, partido que ocupou a vice na chapa e que, a partir de 2027, terá de negociar seu espaço com um governo do PL.
Responsabilizar o governador que sai pode ser também um movimento de reposicionamento para o novo ciclo.
Até o momento, nem Ratinho Junior, nem Sandro Alex, nem Alexandre Curi responderam publicamente às declarações.
A disputa pela narrativa da derrota
A fala de Anibelli Neto marca o início da disputa pela narrativa da derrota no grupo que governou o Paraná por oito anos.
Ela expõe um ponto real: a escolha de um candidato com baixo reconhecimento inicial cobrou seu preço numa eleição decidida por menos de sete mil votos.
Mas atribuir a derrota apenas a um nome ignora que o eleitor paranaense votou em bloco à direita em todos os cargos majoritários.
O governismo perdeu não só o candidato, mas a capacidade de convencer que a continuidade era a mudança que o eleitor queria.
Para Ratinho Junior, que sai bem avaliado, o recado das urnas é que aprovação pessoal não se transfere por decreto.